
Estamos de volta de uma viagem de uma semana , viagem que começou no dia 24 de outubro e terminou ontem , mas, na realidade , ainda sentimos os “ efeitos “ de uma ida quando pegamos um engarrafamento de quatro horas provocado por uma manifestação popular na praça de pedágio da BR324 , que ocasionou , considerando os dois sentidos de tráfego, um engarrafamento de cerca de 40 quilômetros. A viagem em si , de cerca de 7 horas , num ônibus confortável, ar condicionado regulado para 21ºC , deslizando por faixas asfálticas satisfatórias , não chegou a ser ruim , mas foi cansativa. Somente as duas pistas Salvador /Feira/Salvador não estavam em boas condições. Na ida, havia buracos na pista e na volta remendos desnivelados, como sempre acontece. Todo o resto foi legal ! Deveríamos ter chegado à cidade de Morro do Chapéu às 17 horas aproximadamente, mas a manifestação fez com que só chegássemos em torno das 21 horas. Marco nos esperava no ponto de parada do ônibus e imediatamente nos dirigimos para o hotel , carregando a bagagem na mão grande . Fazia frio ! Felizmente o hotel satisfez todas as nossas necessidades incluindo boa cama e cobertores apropriados. Dormimos a primeira noite e outras que se seguiram , encolhidinhos em baixo de um cobertor que nos aquecia satisfatoriamente. No dia seguinte, uma terça feira, tomamos o nosso café da manhã , que não era grande coisa , descansamos um pouco, até que às 9 horas o Marco foi nos Apanhar . Andamos por aquelas velhas ruas calçadas de pedras irregulares , totalmente desniveladas , mas que não podem ser substituídas porque fazem parte do patrimônio da cidade. Tanto as pedras como o calçamento de várias ruas , são trabalhos de escravos que as transportavam no lombo e faziam o trabalho do calçamento . Algumas ruas são calçadas com paralelepípedos . Tráfego ? Quase não existe e o pouco que há não segue regra alguma . Lá você tem mesmo é que andar .Calculo que existam 20 motos para cada carro. As ruas são bastante largas e há muitas praças ajardinadas com árvores e flores bem cuidadas , que o povo respeita. Não é como aqui que os predadores acabam com tudo ! ... Os passeios são, também, irregulares e cada morador os constroem do jeito que desejam. Um mai alto, outro mais baixo , com obstáculos , rampas, enfim, é diferente . Fica difícil caminha por eles, o que lhe joga para a rua ...
Bem, a nossa ida à cidade de Morro do Chapéu foi motivada pela junção de dois fatores. Um convite de Marco para nós irmos assistir ao 10º encontro de filarmônicas da Chapada Diamantina e pelas saudades da velhinha , que desejava ver o filho que se instalou definitivamente naquela cidade. Marco estava muito interessado em que fossemos assistir o encontro , já que ele se integrou à uma filarmônica chamada Minerva , que completava 105 anos de existência. Ele faz parte do grupo mirim, onde há músicos a partir dos 8 anos de idade aos 50 de Marco , o vovô da turma , mas ele leva na esportiva e até gosta , porque está começando agora, Adotou o piston ( ou clarinete ) como o seu instrumento. Está muito entusiasmado com a novidade e adorando a cidade com o seu estilo de vida calmo e sem pressa alguma... Pressa ? para que ?... Em poucos meses já é conhecido por uma boa parcela da população. Foram dois dias , melhor dizendo , noites de apresentação , sendo que ele se apresentou no primeiro dia, subindo ao palco armado em praça pública . O seu grupo , foi o segundo a na ordem de apresentação.
Voltando à nossa estada , enquanto esperávamos os dias de apresentação,o domingo e a segunda, quando embarcaríamos de volta, ocupamos o tempo com muito pouco ou com quase nada , vendo um pouco da cidade l. Almoçamos duas vezes em casa de amigos e lanchamos também diversas vezes , eu com o privilégio de encontrar coisas de meu costume, uma vez que Marco se encarregou de me rotular como um chato , para comer, no que tem , aliás, total razão...
No domingo, véspera da nossa volta, convidei o Marco para levar os amigos para almoçar conosco. Convite aceito , levaram uma linda garota de 4 aninhos que logo fez amizade comigo e eu me aproveitei para me declarar seu avô de brincadeirinha, ela gostou e até que dava beijinhos a mim e à Paola , com muita facilidade , mas reclamava da barba ... Almoçamos num restaurante a quilo , onde iamos todos os dias em que estivemos na cidade e que tinha um cardápio reduzido, porém bom. Quebrou o galho , porque no hotel só mesmo o café da manhã e o preço era bastante conveniente como foram as diárias do hotel que não tinha tarifa alta . Passei a semana inteirinha comendo coxas e sobre-coxas de frango ao forno, com arroz . Não estava me sentindo bem do estômago . E, por falar em hotel, não posso esquecer que tivemos que trocar de apartamento duas vezes , sempre motivados por problema de água. Todos os dias, tínhamos que pedir para “ ligar a bomba” porque no andar faltava água... A água era fornecida por andar e de acordo com a necessidade , porque provinha de poço e tinha que ser bombeada. Um outro inconveniente foi um “ grilo” . Sim , um grilo de verdade , daqueles que passa a noite inteira cantando. Ele apareceu no segundo quarto. Quando nos mudamos para o terceiro, foi junto com a mudança... que fdp !
No entanto, pouca coisa de interessante , aconteceu, que mereça destaque. Alguns pequenos fatos , que relato a seguir , para enfeitar o texto e para registrá-los afim de que não caiam no esquecimento . No sábado, fomos dar uma olhada na feira . Aquela de sempre , nas cidades do interior , só que um pouco mais sofisticada porque melhor organizada e com alguma coisa mais moderna .
A coisa mais engraçada, aconteceu no restaurante, no domingo , quando estávamos todos reunidos. Eu estava distraído quando vi sair da lateral, onde estava o expositor , um senhor carregando com as duas mãos um prato bem incrementado , tão alto quanto uma montanha . Futuquei a Paola que ficou abismada. Logo a seguir me aparece uma senhora com um prato muito bem abastecido da altura de um edifício de 20 andares. Pensei que tinha terminado , que nada ! Mais uma senhora. Desta vez o prato dela parecia o Vesúvio . Nossa, impressionante !
Junto com tudo aquilo, pediram, cada um uma Coca-Cola e não dispensaram a sobremesa. Gente, o que é isso ? Cada uma daquelas pessoas devia pesar .no mínimo , 160 quilos, assim, por baixo. Me lembrei de alguns amigos parrudinhos que comem tudo o que querem e bem entendem , sem nenhum constrangimento e, na hora do cafezinho, com a maior cara de pau, recomendam ao garçon: com adoçante, por favor !
Sarnelli – 9.11.2011